quarta-feira, julho 20

Victoria e o plano sequência




Victoria é um filme realizado em plano sequência.
Victoria é uma personagem com uma carência afectiva (solidão + incompreensão = carência por cumplicidade). 
No entanto, esqueçam lá a Victoria... aliás, esqueçam as personagens do filme.
Fui ver o filme por mera curiosidade intelectual. Queria ver como o realizador Sebastian Schipper se saiu, tecnicamente, com o desafio de filmar 2 horas e 20 minutos em plano sequência.
Apesar da narrativa do filme ser pobre, muito pobre, o exercício cinematográfico apresentado pela equipa de Schipper irá, certamente, colocar Victoria na história do cinema europeu.
O filme pode ser, na minha perspectiva, entendido com a forma como olhamos o movimento. Mais; estamos tão obcecados com a técnica e com o fluxo que daí deriva que nos esquecemos da imagem real, da vida real, das pessoas reais.
Victoria é o sintoma da experiência estética e da metodologia que encerra a lógica da experiência humana é, portanto, um vislumbre daquilo que já foi o cinema clássico, i.e., a técnica sobrepõe a natureza dialéctica das personagens sem que haja possibilidade de vinculação entre as mesmas.
Mesmo assim, Victoria é um bom exercício cinematográfico, mas não passa disso, infelizmente!

2 comentários:

  1. Mascarilha Birolho10:22 a.m.

    já o vi e posso dizer que não concordo nada com isso que dizes.
    tem uma exelente história. de uma rapariga simpatica que infelizmente se deixou guiar pela maldade ela no fim acaba bem e isso é o mais importante.

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  2. :) :)
    Birolho, Birolho...
    Imagina a narrativa do filme sem o plano sequência, isto é, imagina o filme "montado".
    Abraços birolhos

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