domingo, janeiro 21

Profissão do futuro – Mendigos do Futuro

A profissão do futuro chamar-se-á, Abortistas, ou então, técnicos abortistas, aos que recorrem a estes médicos/técnicos, aliás, chamaremos unicamente Técnicos, dado que, e aí teremos que ir ao pai da medicina, Hipócrates, que e muito bem afirmava: “A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.” Por isso é mesmo recomendável que fique, técnico, e aos que recorrem aos técnicos “do futuro”, vamos chamar de aborígenes, não… não, isso já existe, vamos chamar de abortigenas.
Esperemos é que a economia fique favorável, para que no futuro não vejamos nas ruas, meninas ou casais a pedirem esmola, com os tradicionais cartazes de cartão a dizerem: “Ajude-me, é para Abortar”.

sábado, janeiro 20

Opus XXIII

Beatriz era uma moça pacata, terna para com a família, e gostava muito de ajudar o próximo. Mas o único problema da Beatriz é que era uma esquizofrénica não assumida.
Quando era pequena, Beatriz, matava gatos e enforcava coelhos, na esperança de sentir que naquele momento, naquele preciso momento, havia alguém que estava a sofrer mais do que ela. Beatriz era uma moça engraçada e que cativava todos à sua volta, mas Beatriz, tinha ainda outro problema além de ser uma esquizofrénica não assumida, Beatriz sonhava que os seus problemas podiam ser resolvidos através do conhecimento, ou seja, a Beatriz “sabia” que a resolução dos seus problemas estava precisamente nos livros, era aí que havia a cura para a sua maleita. Ela própria não sabia ainda o que tinha, mas sabia o que a atormentava, mas estava certa que encontraria nos manuais estéreis das bibliotecas alguém parecida a ela, e alguém que tenha ultrapassado o mesmo problema. Foi então que decidiu estudar… estudo nos melhores colégios e nas melhores universidades, acabou, inclusive, com a melhor nota de todo o mundo, mas infelizmente, ela sentia que ainda estava longe da resolução da sua significante vida. Foi na altura de escolher a empresa onde iria trabalhar, que Beatriz conheceu uma rapariga sensacional. Beatriz ao falar com ela, a primeira vez, reparou que o seu entusiasmo pelo conhecimento teórico dos livros estava a ser substituído por uma rapariga, ou seja, Beatriz estava apaixonada, sim apaixonada. Mas por uma rapariga? – Perguntam vocês – Sim, por uma bela e magnifica rapariga. O que mais fascinava Beatriz, era o olhar, e a inteligência descontraída e rebelde que a sua apaixonada transmitia, passaram tempos e tempos a rir e a trocar ideias, parecia que ambas estavam felizes.
Num certo dia, a apaixonada da Beatriz, começou a ficar doente, deprimida, e com falta de cor no seu mundo, ao contrario da Beatriz que parecia que o mundo finalmente lhe tinha dado as resposta todas, a sua apaixonada, entendeu que estava a ser emocionalmente substituída. Foi um choque para ela, coitada. Beatriz tentava encontrar solução para o problema da apaixonada, mas via que dia para dia, ela piorara, a apaixonada estava a morrer envenenada. Beatriz corre para casa da família da sua apaixonada e vê no quintal, um cão preso por uma longa e ferrugenta corrente de ferro, o nome do cão intitulava-se Plebeu. Plebeu era um cão que vivera acorrentado desde que nasceu, era um cão muito especial, porque era muito leal a quem lhe dava comida, e não só, Plebeu respeitava até quando lhe batiam e não lhe davam de comer, Plebeu era um cão muito cativante. Ao aproximar-se, Beatriz, faz uma festinha ao Plebeu e solta o cãozinho, isto porque, Beatriz “sabia” que o Plebeu estava farto de estar acorrentado, e “sabia” que o cão iria ficar muito feliz. O certo, é que o cão foi dar uma voltinha, correu, correu, e até ganiu, mas nunca mais apareceu.

sexta-feira, janeiro 19

terça-feira, dezembro 26

Perpetuem-se.

Voando sobre os ninhos de uma ave pequena, o homem sussurra palavras amistosas de silêncio confuso. Quem mais poderá viajar se não souber o caminho? Anteontem todos morriam de sede e de calor, mas o intenso orvalho que das nuvens permanecia fugitivo de harmonia, nada mais se manifestaram sem que o Homem os alcançasse.
Ternas mãos rudes de veios sapientes mexiam no ninho de avestruzes. Como eram grandes, as mãos.
As águias afugentadas pelo ódio do não querer viver consoante a misericórdia da dádiva, viraram-se mortalmente sob o profundo e triste magistral silencio do branco supérfluo da inquietação penetrante da vida.
- Que miséria!
- Que paixão!
Soltai os patos e as andorinhas que tanto voam para mostrarem uma vez mais que existem para que se saiba da ainda liberdade da morte. Mas para se escolher, tem que se saber da vida.
O sol não poisa, avança em linha recta, nós, mortais, é que circulamos numa vida consciente, mas circular.
Perpetuem-se.

terça-feira, dezembro 19

Proposta de Rem Koolhaas para uma nova bandeira da União Europeia (2004)

sexta-feira, dezembro 8

“Être et avoir”

Nicolas Philibert assina uma obra de verdadeiro destaque pedagógico. O filme – documentário “Être et avoir” (Ser e Ter) revela uma substância de cariz puramente virtuoso. Os sentidos prendem-se com as paisagens de Auvergne – França, e com uma paciência quase perfeita de um professor em pré reforma. A questão mais surpreendente deste documentário não é tanto a questão do tempo e dedicação do professor e aluno, mas sim o fascínio por uma “raça” em vias de extinção.
Os prémios arrecadados são a prova de que a sociedade por mais perdida que ande, reconhece o bom trabalho, ou seja, a vocação. Falar de vocação, de entrega e partilha continua a ser tabu na sociedade em geral.
Por exemplo nas universidades, aproveitam-se as melhores médias para meter pessoas que não estão verdadeiramente ligadas à pedagogia, ou seja, se a pessoa é dotada de uma capacidade de raciocínio elevada então que vá para investigação, se um professor reconhece um certo talento no aluno então deverá ser ele o pioneiro em indicar (como Mestre) um caminho vocacionado para essa mesma pessoa. De facto “existe falta de sanguinidade” tanto nas universidades como em qualquer outro patamar laboral do nosso país, mas no mundo também.
Este documentário tem uma carga emocional muito elevada, mas comprova que existem vocações, que existe amor na arte, porque, quando se é bom, é-se mesmo bom, mas para isso, falta descobrir onde é que se é bom. Enquanto não descobrimos, ou temos medo de arriscar onde seremos bons, alguém tem que sofrer. Enquanto houver ordenado, daqui não saio.

domingo, dezembro 3

Opus VIII

Quem consegue concordar com os poetas da vida? Sim senhor; somos todos a vida que não controlamos.
Existem personagens para tudo, todos poderíamos ser tudo. As personagens que encaramos num olhar de amargura e instantes de prazer absurdos e calmos, são o que são, mas nunca o são na perfeição. Porque razão, tentamos olhar o outro sem que o alcancemos. Temos que o delimitar. Temos que entrar no silêncio, e porquê? Para não mentir, para não sermos mais uma personagem. Hoje tentamos matar a vida, mas a vida física constrói-se a cada momento dessa mesma atitude impiedosa que se chama vulgar.
Andamos confusos porque tudo muda, a cada caminho que cruzamos todos os sinónimos alteram-se, mas a essência permanece, e essa essência não compactua com o relógio que corre e a água que toca. Hoje seremos mais um Don Juan que não busca o amor total, mas aquele mortal que busca o prazer da entrega e da partilha. Se em pequenos instantes conseguirmos olhar o universo da revolução com o espírito da verdadeira liberdade, então conseguimos, descobrir a verdadeira liberdade. Chamemos-lhe neo – liberdade, porque só aqueles que conseguirem olhar nos instantes vulgares dos aspectos mais vulgares da vida e conseguirem imaginar o seu espírito nesse mesmo momento vulgar então é porque existe a possibilidade de uma existência vulgar, mas cabe aos neo – libertos, o dom de o não escolher completamente. Sejamos, sejamos… bons nos aspectos que vimos e gostámos, mas sejamos, sejamos libertinos nos aspectos que vimos, ignoramos, mas não reflectimos na possibilidade de esse mesmo momento ser nosso, e o outro ser o que eu poderia ser, e o que eu sou, ser uma saudação da ironia, da nossa neo – liberdade.
Sintam e sintam-se bem, mas não se sentem, porque acabariam no lamento da preguiça mortal da antiga liberdade.

sexta-feira, dezembro 1

Humor. Uma obra sob a forma de fragmentos

Ao entrar na aula disse: “ Quem terá sido a pessoa que ocupou o meu habitual lugar?”, -Maldita seja ela! Apareceu assim do nada, como devaneio de um sentimento já aguçado de insipiência perpetua, maldita.
Abalou as estruturas do pensar, mas também do agir, quem diria? Quanta mais raiva pode surgir do meu coração puro, que afinal de puro nada tem, mas tenta todos os dias ou ao deitar, depende do bagaço que o Sr. Horácio oferece, tudo depende de tudo, de algo, dos sentidos mas também das formas, e que formas, eu que o diga. As formas são o elixir do meu sentir e da minha ilusão. Pois é, tanta perfeição que paralelamente foge de mim. Fui viradinho a ela, e exclamei em voz profunda e maquiavélica: “ Quem és tu?”. Sou a força das águas, a anarquista que cintila onde quer que seja – diz ela como que protegesse um castelo de princesas e dragões - e quem és tu, que me perturbas neste momento? Eu, sou um mago! Que mata com medo, que sobrevive a todas as guerras, sou o ser que Deus criou num tempo onde o humor reinava nos homens…

sábado, novembro 18

Condição humana

A palavra condição deriva do latim conditione: substantivo feminino que pode significar: “classe a que pertence uma pessoa na sociedade; distinção, categoria elevada; carácter, índole, génio; maneira de ser; qualidade que se requer ou se deseja; cláusula, encargo; circunstância, situação.
Visto isto podemos argumentar que quando se diz: Condição Humana, então, estamos a supor que existe uma outra condição, talvez a divina.
Se ser condição é estar limitado, é porque, logicamente, somos limitados, sem novidades por enquanto. O que se pretende então é derrubar o – determinismo, cuja corrente filosófica diz que é uma: “doutrina segundo a qual todos e cada um dos acontecimentos do universo estão submetidos às leis naturais, de tal forma que cada fenómeno está completamente condicionado pelos que o precedem e acompanham, condicionando com o mesmo rigor os que lhe sucedem; doutrina que implica que todas as determinações humanas estão sujeitas à acção providencial, negando o livre arbítrio.” Fica a liberdade, que tantas vezes é o enunciado de gente e gente, mais uma vez ficámos sozinhos. Então recapitulando, somos limitados ao que possuímos, logo existe uma divindade que afirma sermos livres, isto do ponto de vista espiritual e não só, o determinismo evapora, a liberdade evapora-se. Ficamos então com o – Ser Condição.
Ser – condição é: caminhar, unicamente caminhar. Quem caminha de olhos virados para as nuvens, quando as há, é acreditar que existe uma transformação. A morte é o declínio único do determinismo e da liberdade. Os conceitos do livre e determinista só podem ser adequados à morte. Porque falar em morte é falar de algo certo. Agora referindo-me ao aborto. Este caso é de morte, logo as pessoas enunciam tanto a palavra liberdade e a eutanásia é também esse caso, em que se é livre para morrer de “olhos abertos”. A condição humana só é condição na morte. Morrer, porque se está determinado a isso, e liberdade na morte porque somos limitados ao Ser – Condição.

sexta-feira, novembro 17

“A morte existe para dar mais significado à vida.” (Six feet under – HBO).

A morte que vem por acaso, o amor que vem ao acaso. É assim que eu defino a área de serviço CEPSA no IP3 – Santa Comba Dão.
Certa altura – como moro relativamente perto – fui até a essa área de serviço, comprar tabaco, deparei com uma excursão de idosos que vinha de Penafiel em direcção a Lisboa. Saíram todos e entraram no restaurante – onde eu estava – almoçaram umas sandes de atum e beberam um sumo de laranja natural – refeição perfeita para um grupo grande de pessoas que têm um estômago fraco.
Estava já de partida, quando uma elegante senhora acompanhada de seu esposo, desmaia. Instalado o pânico entre os forasteiros, imediatamente a ambulância é chamada – INEM. Levam-na com uma maca para a ambulância. Um dos bombeiros, ou médico, é difícil de precisar, dá um último alento ao marido, que sóbrio, segura um telemóvel, e deixa escorrer uma nobre lágrima de desespero. Muito haveria para explicar, se aquela lágrima era de medo de perder a esposa, ou se era por ela estar a sofrer, e então, essa lágrima seria uma partilha do mesmo estado existencial e condicional compartilhado com a esposa.
A imagem das imagens é quando a ambulância balança freneticamente de um lado para o outro, seria como se lá dentro, num espaço tão reduzido uma guerra de corpos estivesse a ter lugar. Estando o pânico instalado, as lágrimas de raiva, os abraços, o consolo, tomava os hectares da área. Passados dez minutos de reanimação, sem efeito, a elegante senhora morre. Morreu. O que resta são mais dez minutos de gritos desesperantes que são lançados em direcção a um Deus que queria um adeus eterno. Fica o lugar sob o rio Dão, que imagem ainda mais bela. Houve uma morte, houve um rio, houve uma lágrima insustentável. As pessoas entraram todas no autocarro. O esposo foi junto ao corpo de sua esposa, contemplando uma viagem mais longa que a prevista.
Fica sempre o humor (negro) ou sádico de uma pessoa que comprou um bilhete de uma viagem, e teve direito a duas viagens, há pessoas com sorte.

sexta-feira, novembro 10

Dia Internacional da Filosofia - Universidade da Beira Interior

Inscrições (limitadas) até ao dia 15 de Novembro de 2006 em: sexto-empirico@hotmail.com
Viva a Filosofia

sábado, novembro 4

"O conciso é a luxúria do pensamento".

Bernardo Soares disse, ou Pessoa afirmava? "O conciso é a luxúria do pensamento"; perante tal afirmação, podemos especular “escriticamente” sobre a actualidade ou utilidade, sim, será que algo útil não sugere uma actualidade? Claro que sim, modéstia da minha parte em afirmar o claro e verdadeiro que as minhas palavras ecoam. No fim todos morremos, os nossos pensamentos desdobram-se nas infinidades poéticas, mas fica sempre (para os que se dedicaram à escrita) o papel, o livro, o manuscrito… a verdade? Sim, a nossa verdade. Quando olhamos para livros tão extensos como um rolo de papel higiénico ficamos a pensar e a debater sobre as circunstâncias de um único titulo. Por exemplo, se um livro como o Leviatã de Thomas Hobbes, cuja magnitude “celulósica” afasta qualquer pretensão que é rapidamente derrotada pelo tempo, o tal tempo, fala de um possível estado perfeito, ficamos com a impressão de que o seu contributo explicativo pode ser útil para nós, o povo, então valerá a pena lê-lo. Mas por outro lado, existem obras imperfeitas que sugerem um único titulo e em que o seu conteúdo deveras descritivo afasta uma potencialidade imaginaria de se concretizar, é claro que títulos objectivos de uma obra, nem sempre sugerem o tema ou assunto da obra, recordo-me agora por exemplo – A critica da razão pura de I. Kant, que de grande livro até tem, mas que o seu conteúdo, ou ideia central devia ser rapidamente concisa e não tão massacradora. Aposto se Kant desse aulas, actualmente, iria de Sabática a vida inteira, e ainda bem. É claro que todos os filósofos querem que as suas ideias sejam levadas a sério, e por todo o povo, obviamente, mas se não conseguirmos indicar unicamente o caminho ou dar a ferramenta essencial para se fazer o tal caminho, então de nada vale explicar todos os pormenores, porque uma viagem feita sozinho ou em grupo (povo) vai ser diferente para cada um, ou seja, a nossa vida ou caminho é nada mais nada menos do que – individualidades colectivas. Cabe aos professores da actualidade dizer-nos o seguinte: “ Sócrates aqui pensava assim e actuava assim, e tu, como queres fazer, sabendo que tens que chegar ali?”. Somos assim tão exigentes com o tamanho? Será que uma tela de 200 por 150 vale mais que uma 50 por 25? Claro que vale, dizem vocês, e os comerciantes, mas depois de pintada artisticamente, poder-se-á inverter a situação, certo? Ora aqui está um dos problemas dos filósofos, porque como me dizia uma professora: “ Filosofia não é Literatura”. Mas professora… a mim não me está a dar novidade nenhuma. E a vocês? Assim termino dizendo que existem obras que não são merecedoras de títulos. Há títulos que não valem assim muito, é como a publicidade enganosa.

domingo, outubro 29

Especulações racionais da pura razão filosófica

A pequena obsessão que a filosofia cria em todos os seres é automaticamente traída pelos leões da savana intelectual, diria mesmo que uma se trata de uma selva, e das grandes. Se calhar esta selva não tem a diversidade de uma amazónia, mas de um deserto, onde o silencio abrupta dos vales sequiosos das profundas dunas rastejantes de vermes e lagartos, mas que mesmo assim tem diversidade.
O que é preciso para se ser filósofo? O exemplo mais interessante foi dado por alguém que dizia, que os verdadeiros filósofos eram as crianças, porque possuem as características fundamentais para tal profissão, e que profissão é essa? Na escola ensina-se, na disciplina de filosofia, que o objecto da filosofia é o –real e o –ser, e que o objectivo é o conhecimento e a procura, por fim, fica o método, que neste caso é pensar, especular, reflectir. Então o que acontece quando possuímos tais directrizes para filosofar? Nada. E porquê? Porque o ensino obriga-nos a entrar no relativismo, e quando se entra no relativismo, entra-se no niilismo, e entrando-se em tal circunstancia ficamos puramente livres, de quê e porquê? Livres da filosofia, porque o vácuo dos filósofos que estudamos não nos dão margem para actuar. Ou seja, quem estuda filosofia vai ser um submisso de um autor “genial” qualquer, por exemplo Nietzsche, quem devora tal coisa vai tornar-se apoiante desta fracção filosófica, há quem chame discípulo a este tipo de atitude intelectual, mas e quem não gosta de ser submisso? Será que já não pode ser filosofo? Mas pode filosofar, certo? E ao filosofar vai ter sempre adjacente ao pensamento o tal autor, assim deixa-se de ser um indivíduo puramente racional, para ser um individuo racionalmente dependente do outro, fica a salvação dos independentes, que são aqueles que conhecemos algures e muito raramente.
O mundo precisa de muita formação mas não de obrigação, porque o objecto, seja ele filosófico ou não, é que nos possui, e nunca nós, que pensamos possui-lo.
Sim, claro que sim, temos que delirar com Aristóteles, é obrigatório, mas também temos que delirar com os nossos pequenos devaneios.
Porque é que a raça chamada filósofos teme em aparecer? Não digo com isto que se tornem vaidosos de um mundo já por ele muito colorido, mas o que falta para filosofarmos como René Descartes? A resposta não podia ser mais simples. O problema é simples, basta por exemplo olharmos para a disciplina de historia, em que pouco ou nada se identifica connosco, pois, historia universal que é importante do ponto de vista de “cultura geral”, ou então para acertar nalgum concurso televisivo, mas em que nada nos pode ajudar na identificação cultural e antropológica da nossa sociedade portuguesa ou da nossa identidade histórica. O mesmo se passa com a filosofia, que apesar do –ser, ser o objecto de estudo, mas o -ser Nórdico é diferente do -ser latino e agora pensando melhor, será que não influencia em demasia a falta de compreensão do mundo português relativamente ao mundo de uma filosofia universalista que se adapte a cada cultura? É claro que existe a Filosofia em Portugal, como disciplina, mas então porque é que ninguém ouve falar nela?

sábado, outubro 28

sábado, outubro 21

Hoje todos ouvimos Wagner

É claro que não se pode ficar indiferente, que se cante muito com ilusões matemáticas, menos com lógicas formalistas. Os conteúdos pouco matemáticos e as contradições superficiais dos sentidos, conseguem provocar em qualquer pessoa a metamorfose das letras.
Todos celebramos o casamento ao som de uma bela marcha nupcial, sim claro, é aquele cliché forçado que tem vindo a atravessar gerações. Há quem prefira outras e mais sensuais melodias. Que diria o Senhor Wagner, ao ver uma pequena parte da sua belíssima sinfonia “ Treulich Gefuhrt ”, a ser tocada por um saloio qualquer, mas ainda pior, é que esta sinfonia é auto proclamada num casamento. É por isso que toda a gente fica nervosa, e mais catastrófico, é que curiosamente, os “casamentos” cuja “faixa” (incompleta) é auto proclamada não chegam ao fim, tal como a musica.
Em suma: quando se pega em Wagner, é para pegar até ao fim, ou seja é para levar a cabo todo o sentimento grandioso, e nunca mas, mesmo nunca, uns simplórios minutos.
A maldição está descoberta, porque hoje todos ouvimos R. Wagner e percebemos que há coisas que têm de ser levadas ao principio. Hoje, todos estamos preparados para avançar na correria de amor.

sábado, outubro 14

Zapruder, uma corda e muita américa! O melhor

Plano sequencia mais visto na história é este. Em poucas palavras é um filme realizado num único plano, ou seja, sem cortes/montagem. Este transporta o auditório para um universo ainda mais realista e teatral. O filme de Alfred Hitchcock, - A Corda, é uma tentativa deste plano sequencia. O realizador transporta num único cenário toda uma história de intrigas e invejas paranóicas onde um assassinato decorre numa sala de um apartamento, e onde este vai ser lugar de uma festa de despedida, o corpo vai permanecer num baú em toda a cerimonia e é também aqui que a mestria do argumento e das personagem, principalmente a de James Stewart

Que faz o papel de um antigo professor de filosofia, começa a desconfiar que algo está mal.
Hitchcock assina neste filme a sua primeira película a cores e também a mestria da “ilusão” em tentar fazer com que o realismo emocional e psicológico do espectador enfrente a veracidade de toda a narrativa cinematográfica.
-A Corda é uma filme obrigatório, tal como – Micah P. Hinson neste seu ultimo álbum, - And the Opera Circuit.
Viva os E.U.A!

sexta-feira, outubro 13

Um quadrado pode viver isolado, e mesmo assim não deixa de ser quadrado. Mas seis quadrados a viverem em comunidade, já é um cubo. Decrescer para a realidade não é entrave para os verdadeiros sábios, o que está devidamente apinhado para descobrir o cerne da questão, e afirmo – cerne, porque – o fundo já está cheio, é que vai conseguir erguer um troféu de espermatozóides prontos a fecundar as mentes mais sensíveis àquela necessidade de possuir algo mais do que o abecedário. Por outro lado existem as mentes também elas sensíveis, mas que a sensibilidade vai para um outro estado, e afirmo – estado, porque – o patamar estava repleto, e é esse mesmo estado banal que consegue minar as mais nobres conquistas dos sábios. Na sociedade contemporânea estes anti vírus, que são os que captam espermatozóides mas, possuem os óvulos estragados, direccionam sempre o conhecimento para o quadrado, que ao crescer vai corromper a estrutura igualitária que forma o cubo e assim o cubo deixa de ser cubo para passar a ser, um – não cubo, como diria o Parménides.
É claro que os outros cinco quadrados ficam tristes porque deixaram de ser um cubo, eles gostavam mesmo de ser cubos, mas conseguiram aceitar a diferença, restou isso. Ainda bem que não existia politica nem religião, é claro que já se está a adivinhar o sarilho final do – não cubo e do quadrado, Um era uma religião, porque derivava da natureza criadora, e um outro seria uma seita, porque é uma adaptação ou uma patologia do original. Todos ficamos felizes por o – não cubo, não aniquilar de vez com o quadrado. Existe espaço para todos, quem sabe.

sábado, outubro 7

Diálogo sobre o Saber. Gvilhovsky e Parménides.


- Caro Parménides, é com muita alegria que me reúno neste belíssimo espaço junto a esta belíssima arvore!
- Sabes -G; sempre que vejo uma bela árvore, penso sempre, “n‘as jovens filhas do Sol a levar-me, abandonando a região da Noite, para a luz, libertando com as mãos a cabeça dos véus que as escondiam.”.
- De facto, esta árvore é bela, as suas folhas transmitem uma vida que não suspeita um minuto sequer pelo Outono, e mais, a sua idade é frontal e suas raízes devem ser longas e fortes, parece que abraçam o mundo.
- Parece, dizes bem, amigo -G, é como “o direito e a justiça”, onde sabes que existem, e vês de facto, muitos obreiros de justiça e direito, como a policia, os juízes e os advogados, mas parece que ninguém sabe dela.
- Então isso quer dizer, que tem de ser cada um de nós a lutar por isso? Dado que não existe pessoa alguma que consiga mexer, ou envolver as circunstâncias rectilíneas da justiça e do direito? Como se a justiça e o direito fosse algo pessoal e dotado para todos os seres vivos e não para alguns?
- não é bem assim, mas adiante, caro –G, não sejas tão impaciente. O homem é corruptível, mas a alma não. “é necessário que o ser, o dizer e o pensar sejam; pois podem ser, enquanto o nada não é: nisto te indico que reflictas. Desta primeira via de investigação de , e logo também daquela em que os mortais, que nada sabem, vagueiam, com duas cabeças: pois a incapacidade lhes guia no peito a mente errante; e são levados surdos ao mesmo tempo que cegos, aturdidos, multidão indecisa, que acredita que o ser e o não - ser são os mesmo e o não - mesmo, para quem é regressivo o caminho de todas as coisas.
- Desculpa amigo Parménides, mas é muito extenso o teu pensamento, não consigo lá chegar, desculpa.
- Cala-te, ser ignóbil! Amigo –G, não temas o –Pensar, se julgas –Saber, então tens que julgar o –Pensar, porque eles permanecem unos.
- -G! - G! - Chamem a ambulância!

quinta-feira, outubro 5

Hoje, bebi àgua! Hoje, li António Lobo Antunes!

"(...)
- A tua mãe morreu?
eu pudesse contar-te, falar-te não do verão, do Inverno, da decepção dos estorninhos, dos cinzentos sobre cinzentos, do verde escuro das copas, da grade de cervejas onde se abrigavam os patos, do meu pai a visitar-me no colégio aos domingos, sempre com um casaco diferente das calças e a gente não na recepção como os outros, numa das salas de aula num embaraço mudo, barbeava-se mal, sobravam pêlos no queixo, maçava-me, desiludia-me, apetecia-me que me deixasse em paz
- Que veio aqui fazer?"
(...)

-A minha continuação

-Só queria o dinheiro suficiente para me aguentar mais uma semana, odeio que os meus colegas sintam o meu ar de criança de 23 anos ainda frágil
Não sou assim tão frágil, sou o magnata da loucura sensivel,
Mas.
São os óculos massa pretos que eu mais embirro, queria uns iguais, não os dele, uns meus,
Gostei de te ver, a ti e à mãe.
Ela sempre mãe, sempre preocupada, e eu sempre despreocupado, que vingança virá lá de cima? Talvez nenhuma, só a das minhas fracas mãos.

segunda-feira, outubro 2

opus XX

Desapareci, assim como por magia. Os meus sentidos entraram em antagonia profunda.
Uma depressão que se misturou com outra e outra e outra. Fugi, mas voltei, como se de um cão com fome se tratasse. O meu vulcão permaneceu junto ao mar dos opostos, sem nada para dizer.
O sopro do coração queria bombear ar, mas bombeou um liquido viscoso e ácido.
Ontem estava perplexo comigo e com mais alguém, hoje estou genuinamente fraco de tão poucas soluções.
A minha geração está a precisar de motivação. O egoísmo prático do meu animal ser, aloja-se sem permissão, vou lá, ao médico. Vou se me conseguir decidir qual o médico, são tantos, acho que não vou a nenhum. Vou escrever, sem medo, sem paixão, só escrever.
Não, já não vou, estas tretas existencialistas estão a dar cabo de mim, se elas não me ajudam então porque forçar uma coisa que não me diz nada? Ah, raios e coriscos!
Vou-me dedicar ao romantismo. Agiota, mas com muito sacrifício.