segunda-feira, maio 7
Cinema e Educação
O documentário “pro dia nascer feliz” (João Jardim, 2006) é
aquele filme que mostra o lado mais importante, o do aluno. Se em “entre os
muros” (Laurent Cantet, 2008) analisamos de forma quase egocêntrica o frete em
ensinar alunos existencialmente perdidos. No documentário “pro dia nascer feliz”
somos convidados, ou melhor, somos empurrados para a dura realidade de pessoas que
querem algo da vida, que procuram um objectivo, mas a escola teima em
negar-lhes.
O professor é tão culpado como o governante. O professor
sente-se confortável, até ao dia em que lhe mexem nos abonos. O professor, essa
casta, que sofre com os desacatos do sintoma existencial dos alunos, não
percebeu ainda que duro é ser aluno da modernidade. Um aluno sem objectivos,
sem horizonte, sem crença nele mesmo. Pior, é o facto, da própria escola fugir
a essa responsabilidade.
A educação é a oportunidade de quebrar fronteiras políticas
numa estrutura em que o contexto de reflexão do –eu, é cheio de ausências e significação. Que
significa tudo isto? Significa aquilo que se vê no actual sistema educativo;
desinteresse dos alunos na educação, descrença social na envolvência do plano
educativo, enfim…
O medo. Aquele sintoma que não tem explicação lógica é incontornável
aos nossos sentimentos. Ele existe por força maior. Ele é “a pressa de saber”
quem somos, quem vamos ser num futuro próximo. A escola é esse espaço de
definição singular e único no nosso desenvolvimento cognitivo ou emocional,
sim, cognitivo ou emocional. Nenhum deles está dissociado, não deveria estar.
Eis um filme para mostrar aos professores, educadores, pais
e governantes. Neste caso concreto, deixem os alunos de fora, vós sabeis do que falo.
*o filme teve estreia nacional no dia 28 de Maio de 2009 em Angra do Heroísmo [ciclo de cinema - olhar a diversidade na escola]
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Guilherme Castanheira
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domingo, março 18
UBI debate a Criatividade, Storytelling e Personal Branding
Este ciclo de conferências e workshops pretende trazer à Covilhã ideias diferentes e vozes marcantes. Com a participação de oradores que se destacam na sociedade portuguesa e internacional, o objetivo é mostrar que as questões mais simples, a curiosidade e uma dose de perseverança podem levar uma pessoa a mudar o mundo. Num registo mais informal, haverá espaço para debate, tal como a oportunidade de ver por detrás das “cortinas” de alguns projetos internacionais.
As palestras encontram-se divididas em três painéis: Create something (Dangerous), no dia 21, onde se vai debater a importância do Storytelling, com Sandra Carvalho do Projeto Memória. Ainda no mesmo dia, um workshop sobre Apresentações Powerpoint - com João Pina, escritor de “Apresentações Que Falam Por Si” e uma conversa com os organizadores do WoolFest – com o intuito de divulgar algumas das atividades desenvolvidas na região.No dia 22, a discussão abre com o painel A Arte de Fazer Acontecer, onde vão ser apresentadas formas diferentes para encontrar soluções, com André Novais de Paula, Director de Estratégias Criativas da DirectMedia e Frederico Roberto – Chefe Criativo da Torke. Para finalizar, o painel Cultivate (your better self), com Sandra Fisher, fundadora da empresa Português Claro e Miguel Velhinho, da IdeaHunting, que irá mostrar a importância do Crowdsourcing.
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sábado, janeiro 28
Há lugar para todos na Filosofia
Todo o ensino da filosofia, principalmente o ensino universitário, apresenta-se como um código acessível a algumas mentes. Ora, segundo o Oxford English dictionary, código; “é um sistema de palavras, letras, figuras ou símbolos usados para representar outros, em especial para fins secretos”.
A filosofia distingue-se de outras disciplinas pelo simples facto de ser um código aberto, isto é, o pensamento criado pelos filósofos não coloca restrições, nem executa licenças de utilização aos seus “utilizadores”, daí todos os dias encontramos pessoas (filósofos) a descodificar (ou a codificar) o pensamento de Santo Agostinho e de outros autores ainda mais antigos. Ou seja, o conhecimento “parece-nos” actual.
O pensamento filosófico deve ser utilizado enquanto estrutura de comunicação e de interpretação. Todos os dias interpretamos sob condição. Esta condição é específica de um produto humano e social. Todos os dias somos pessoas diferentes. Hume, por exemplo afirmava que “um homem sem experiência, nunca faria conjecturas ou raciocínios acerca de qualquer questão de facto; não estaria seguro de nada, excepto do que está imediatamente presente à sua memória e aos seus sentidos” (Investigação sobre o Entendimento Humano). Só assim é que nos podemos enquadrar no tal código aberto, que deve ser o princípio que rege a filosofia e por conseguinte o seu ensino. Formalmente só se ensina filosofia nas escolas e todo este conhecimento é avaliado. No entanto, o que estamos a avaliar é informação e não conhecimento. Porque o aluno não consegue assimilar e relacionar o que absorve com a experiência pessoal. Daí alguma suspeita que vários alunos têm para com a filosofia.
Mas, todos temos lugar na filosofia. Esta deve ser a grande missão. Contudo, torna-se complicado chegar a todos os campos da filosofia quando existe na estrutura da própria um cepticismo burguês.
A ideia de uma autoridade filosófica só compromete o próprio ensino da mesma, visto que o produto humano e social que a tenta alcançar não suporta a mesma perspectiva a quando da criação do conceito.
É assim, necessário que o conhecimento da realidade exterior seja aplicado ao aluno filosófico.
Há lugar para todos na filosofia. Da filosofia para crianças ao aconselhamento filosófico, todos aqueles que nutrem categorias podem contribuir para o código que é a filosofia. Mais; o órfão sensível dará um belo intérprete de Camus e, o romântico - apaixonado pode ensinar melhor que ninguém a filosofia Agostiniana na época do maniqueísmo.
Na didáctica da filosofia ou filosófica, dá-se importância a “um” pensador, quando a realidade do mesmo é diferente da realidade portuguesa. Não é possível ensinar a ensinar filosofia. Este paradoxo é impreterivelmente uma perda de tempo. Talvez porque a democracia ao nascer do exercício filosófico, tornou-se ela numa “coisa” muito pouco democrática.
Já Dewey tinha percebido isto há muitos anos atrás. Dewey manifestava um desagrado mal-estar pelo ensino tradicional. É curioso referir a relação que Dewey fez do conceito de escravo em Platão: “como sendo a pessoa que, nas suas acções, não expressa as próprias ideias, mas sim as doutrem”.
Se tivermos em conta um ensino da filosofia em código aberto, conseguimos todos contribuir para todas as áreas em que a filosofia é abrangida. Assim, as avaliações académicas acabavam, isto é, a ideia de quantificar de 0 a 20 o conhecimento (quando na realidade estamos a avaliar informação) de um aluno era logo posta de parte. Porque todos nós somos bons nalguma área da filosofia.
segunda-feira, dezembro 12
Conferência "Os Estados e a Cidadania numa Europa em desagregação"
Numa iniciativa dos Cursos de Estudos Europeus e Política Internacional, de Filosofia e Cultura Portuguesa e do Europe Direct Açores, o Director do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e responsável pelo Europe Direct dos Açores tem a honra de convidar V. Ex. para a Palestra “Os Estados e a Cidadania numa Europa em Desagregação", proferida pelo Prof. Doutor António Teixeira Fernandes, professor catedrático jubilado da Universidade do Porto, que se realizará no dia 13 de Dezembro de 2011, pelas 18h00, no Auditório do Complexo Pedagógico do campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores.
+inf: martabarcelos@hotmail.com
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quinta-feira, novembro 17
terça-feira, outubro 4
Regionalismo - Politica Nacional [por Vitor Santos, 1944]
Regionalismo Politica Nacional
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Pequeno texto publicado no ano do senhor de 1944. Ainda no decorrer da Segunda Grande Guerra, onde milhares de pessoas morriam e, outras tantas lutavam por não morrer. Um País, a quem o medo não assistia, discutia o Regionalismo, ou melhor, promovia o espírito da discussão. A obra que apresento tem o cunho da Casa do Alentejo e foi realizada por iniciativa do Grupo de Amigos da Escola Primária Alentejana.
sábado, outubro 1
Ficha de inscrição [workshop bioética ambiental e animal] Angra do Heroísmo Desafios actuais, perspectivas futuras
No próximo mês de Outubro terão lugar, em Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, dois workshops dedicados à BioÉtica Ambiental e à BioÉtica Animal, organizados pela Universidade dos Açores.
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segunda-feira, agosto 1
BioÉtica Ambiental e Animal: desafios actuais, perspectivas futuras
Nos próximos dias 14 e 22 de Outubro (em Ponta Delgada), 15 e 21 de Outubro (em Angra do Heroísmo), irão decorrer dois workshops dedicados ao tema “BioÉtica Ambiental e Animal: desafios actuais, perspectivas futuras”, com o seguinte Programa:
WORKSHOP 1: BioÉtica Ambiental (14 de Outubro, em Ponta Delgada / 15 de Outubro, em Angra do Heroísmo)
Conferência Inaugural Exigências ambientais de uma cidadania activa
Professor Eugene C. Hargrove, Center for Environmental Philosophy, University of North Texas
(com tradução simultânea)
10h30-13h00: Ambiente: Uma Questão de Ética?
Mestre Maria José Varandas
Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
00-17h30: Da Ética Ambiental às políticas de conservação ambiental
Prof. Doutor Humberto Rosa
Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa
WORKSHOP 2: BioÉtica Animal (21 de Outubro em Angra do Heroísmo / 22 de Outubro em Ponta Delgada)
0-10h00: Conferência Inaugural Bem-estar animal: uma exigência de cidadania
Professor Nathan Kowalsky, St. Joseph’s College, University of Alberta, Canada
(com tradução simultânea)
10h30-13h00: A Ética e os Animais
Dinamizadora: Professora Doutora M. Patrão Neves
Universidade dos Açores
14h00-17h30: O uso de animais: experimentação e produção intensiva
Dinamizadores: Doutora Anna Olsson e Mestre Manuel Sant’Ana
Instituto de Biologia Molecular e Celular, Universidade do Porto
Para mais informações e esclarecimentos, poderão contactar a organização do evento através de:
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quarta-feira, julho 20
Criação da Associação Centro de Estudos e Interpretação do Estado Novo aprovada
A Assembleia Municipal de Santa Comba Dão, aprovou por unanimidade autorizar a Câmara Municipal a criar a Associação Centro de Estudos e Interpretação do Estado Novo, cujos Estatutos, também aprovados por unanimidade, se apresentam em anexo.
Todos quantos se queiram associar e participar nesta Associação cujo principal objectivo está expresso na carta convite que também se apresenta em anexo, poderão fazê-lo enviando para a Câmara Municipal as fichas de adesão que fazem parte dos documentos agora publicados.
mais informações: AQUI
Todos quantos se queiram associar e participar nesta Associação cujo principal objectivo está expresso na carta convite que também se apresenta em anexo, poderão fazê-lo enviando para a Câmara Municipal as fichas de adesão que fazem parte dos documentos agora publicados.
mais informações: AQUI
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sexta-feira, junho 17
Egoismo: do ético ao psicológico [considerações minúsculas]
Ético: A acção humana é conduzida a um interesse prolongado, isto é, promover um interesse que traga a longo prazo uma vantagem pessoal (que por extensão influencie o -outro)
Psicológico: Ao contrário do ético, não existe uma extensão da acção. Aqui o egoismo é motivado exclusivamente pelo interesse próprio e reside no ego a “vantagem da acção”.
quinta-feira, junho 16
Anonymous - A REVOLUÇÃO COMEÇOU
Caros amigos.
Bem vindos à mudança das mudanças.
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domingo, junho 12
A Árvore da vida - Terrence Malick
Terrence Malick é o senhor da guerra. Apesar de não vender armas nem conflitos, ele pretende (na sua maioria) consolidar a tese de que as guerras ou conflitos são sempre um “acidente metafísico” que arrasta o indivíduo para o paradoxo da existência. No novo filme – A Árvore da vida – a situação não está longe da que ele apresentou em – The Thin Rede Line – em que o conceito de Homem é o mesmo em qualquer parte do mundo, isto é, somos aquilo que fazemos e em casos extremos, somos aquilo que nos mandam fazer. No entanto, somos todos membros de algo magnífico a que chamamos terra, somos parte de algo intrínseco a nós mesmos. A Árvore da vida, é um manifesto às circunstâncias (acidentes metafísicos) da vida. O que tem este filme de diferente dos outros anteriores? Aqui, Terrence faz da guerra e dos conflitos, isto é, usa como cenário o próprio EU, neste filme, não há nações. Mas, o que faz deste, o melhor filme dele? Não faz, mas reforça a tese de que somos arrastados para cenários sem propósitos e sem liberdade. Este é o capítulo final de uma reflexão (muito pessoal?) de como é a vida para cada um de nós, e como é? Temos que ser livres para descobrir.
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domingo, abril 17
sábado, abril 16
Geração das Ideias
Tive o prazer de conhecer os intervenientes daquela manifestação que ocorreu durante um jantar comício do PS em Viseu. Enquanto falávamos do estado da nação, e claro está, das dificuldades que muitos dos jovens em Portugal (mais dificilmente, os jovens do interior) atravessavam, ocorreu-me a ideia que esta parte da sociedade não é tanto uma geração à rasca, mas sim uma geração cheia de ideias interessantes e transformadoras, mas por estar tão condicionada a dogmas políticos e institucionais não consegue libertar-se e por conseguinte transforma-se na tão falada – geração à rasca -.
Esta geração cheia de ideias é o nosso futuro enquanto nação que vai saindo de uma menoridade instalada desde à muito. A tal momento, perguntei a um deles o que fazia se recebe-se uma proposta de trabalho precária? A resposta foi simples: - aceitava e continuava a luta pela precariedade.
É esse o espírito. A geração das ideias veio para ficar e eu estou com eles.
domingo, abril 10
ALEG(o)RIA da CAVERNA
A ALEG(o)RIA da CAVERNA vai voltar à Livraria Cabeçudos nos próximos dias 23 de Abril, 21 de Maio e 25 de Junho.
as oficinas estão abertas para pais e filhos dos 4 aos 10 anos (quem diz pai, diz mãe ou avós ou tia!)
Onde fica? Livraria Cabeçudos – R. Comandante Cousteau, Lote 4.04.01 Loja A (na Expo, perto da Torre Vasco da Gama)
Os porquês da palavra porquê
formação para pais, educadores, professores, animadores e interessados nas metodologias
7 de Maio, em Lisboa | Workshop de 6h sobre Filosofia para Crianças
Programa:
Módulo I – 3,5h
(Possíveis) contributos da Filosofia para o desenvolvimento do pensamento das crianças:
- O Programa “Filosofia para Crianças” de Matthew Lipman
- Óscar Brenifier: da narrativa ao problema em si
- Outros autores de referência: Catherine C. McCall.
Módulo II – 1h
Novas práticas filosóficas em Portugal
- cafés filosóficos
- filosofia nas prisões
- filosofia e desporto
Módulo III – 1,5h
Aplicação dos conhecimentos | prática do questionamento
informações: Nova Etapa | info@nova-etapa-pt
agradeço a divulgação :)
Joana
follow me on Twitter: @pensarcriarser
as oficinas estão abertas para pais e filhos dos 4 aos 10 anos (quem diz pai, diz mãe ou avós ou tia!)
Onde fica? Livraria Cabeçudos – R. Comandante Cousteau, Lote 4.04.01 Loja A (na Expo, perto da Torre Vasco da Gama)
Os porquês da palavra porquê
formação para pais, educadores, professores, animadores e interessados nas metodologias
7 de Maio, em Lisboa | Workshop de 6h sobre Filosofia para Crianças
Programa:
Módulo I – 3,5h
(Possíveis) contributos da Filosofia para o desenvolvimento do pensamento das crianças:
- O Programa “Filosofia para Crianças” de Matthew Lipman
- Óscar Brenifier: da narrativa ao problema em si
- Outros autores de referência: Catherine C. McCall.
Módulo II – 1h
Novas práticas filosóficas em Portugal
- cafés filosóficos
- filosofia nas prisões
- filosofia e desporto
Módulo III – 1,5h
Aplicação dos conhecimentos | prática do questionamento
informações: Nova Etapa | info@nova-etapa-pt
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quarta-feira, abril 6
Bibliografia relevante para o estudo aprofundado da educação [humanismo]
Y.J Harder, “La pulsion à philosopher” in J.C. Goddard (Org.) La pulsion, Paris, Vrin, 2006.
Peter Sloterdijk, Regras para o parque humano : uma resposta à "carta sobre o humanismo" : o discurso de Elmau ; trad. Manuel Resende, Coimbra, Angelus Novus, 2007.
Immanuel Kant, Sobre a pedagogia, trad. João Tiago Proença,Lisboa : Alexandria, 2003.
Martin Heidegger, Carta sobre o humanismo, trad. rev. Pinharanda Gomes, Lisboa : Guimarães Editores, imp. 2007.
Platão , A República, introd, trad. e notas de Maria Helena da Rocha Pereira, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2008.
Hannah Arendt, Entre o passado e o futuro : oito exercícios sobre o pensamento político, trad. José Miguel Silva, Lisboa, Relógio d'Água, 2006. Cap. 5 : A crise na educação.
Sigmund Freud, O mal-estar na civilização e outros trabalhos; trad. do alemão e do inglês sob a dir.-geral de Jayme Salomão ; trad. de José Octávio de Aguiar Abreu ; rev. técnica de Walderedo Ismael de Oliveira ; coment. e notas de James Strachey, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1969.
Ernst Cassirer, Ensaio sobre o homem, trad. de Carlos Branco, Lisboa, Guimarães, 1995.
Filosofia da Educação, aulas proferidas por Olivier Féron
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”Regras para um Parque Humano” de Peter Sloterdijk (2/2)
Terceira Parte: O pequeno mundo dos grandes resignados.
Se em Thomas Hobbes, o “homem é o lobo do homem”i, segundo a visão de Nietzsche o homem é o animal doméstico do homemii, ora, isto levanta questões éticas actuais que põem em risco a própria natureza do homem. Todo o Humano confrontado entre a escolha de – Liberdade ou – Segurança, prefere e opta pela segurança, abdicando de toda a liberdade e de todo o pensamento dito humanista. Para uma grande maioria, nem se quer de um dilema se trata esta questão, e aqui Nietzsche profetiza uma sociedade nestas condições, onde o homem selvagem mas genuíno é substituído por um outro ser geneticamente domesticado. Como o humanismo clássico falhou, onde “a relação necessária entre o ler, o estar sentado, e o amansamento” faziam a educação / domesticação do homem selvagem, em Nietzsche o homem caminha para o tempo dos Espartanos, onde a selecção à nascença era uma condição para a prolongação da espécie / tribo. Contudo, o processo de domesticação antropotécnico que Nietzsche revela não é muito diferente do humanismo clássico que já referimos anteriormente, aqui a diferença continua a ser a mesma, visto que irá existir o seleccionado e o que selecciona. O homem, tal como Sartre afirmava na obra: O existencialismoiii é um Humanismo, estará condenado a ser sempre livre. Ora, o homem existe em si mesmo, é o um ser primordial, podemos dizer que é uma definição. O que acontece neste conceito de definição, é o da impossibilidade, visto que existe a tendência do – outro nos definir, de nos seleccionar.
A tese de Nietzsche, apresenta um homem indeterminado nele mesmo, isto porque, o homem é algo que nasce da antropotécnica, logo o que determina o homem enquanto ser - aí? Esta é a grande falha que Sloterdijk apresenta em Nietzsche.
Quarta Parte: Platão – O Mestre do inconformismo?
Sendo a Sociedade um aglomerado de pessoas com funções diferenciadas e estatutos organizacionais, é necessário manter uma ordem para que os homens consigam conduzir a sua sociedade ou comunidade ao melhor caminho, isto é, para melhorar a organização e criar ordem e equilíbrio, porque é de equilíbrio que se trata são necessárias regras.
Esta ideia de aglomerado faz com que uma organização desta natureza seja semelhante a um – Jardim Zoológico [Parque Humano]. “O que se apresenta como uma reflexão sobre política é na realidade uma reflexão fundamental sobre as regras de funcionamento de um Parque Humano.”
É o homem que cuida do próprio homem, é ele que ensina e que mantém viva a civilização, esta é a máxima condição de sobrevivência. Porém, esta ideia platónica não é muito diferente das que já mencionei anteriormente. Existe a direcção [pastor] e a população [ovelhas], resta saber que tipo de diferença existe, se um diferença de grau, ou uma diferença mais especifica.
Na diferença de grau, estaríamos unicamente sobre uma condição pragmática e casual, ao contrario da diferencia especifica onde a direcção tinha uma condição intelectual, sofista. Que erro é que este exercício filosófico possui? O mesmo de sempre. Só quem tiver educação – num sentido estritamente humanista -, é que consegue chegar aos lugares de direcção. Todavia, quem decide quais as crianças que devem ser educadas das que não devem ser educadas? Se tivermos em conta que este tipo de organização não irá permitir as mais pobres de um direito adquirido, que é a educação. Os métodos de selecção são suspeitos, mas é este tipo de sistema que faz o que história nos tem mostrado, - injustiças, guerras e uma verdadeira descrença pelo homem.
Conclusão:
No filme Inside Job de 2010 é lançada uma questão no final do filme: - Os Estados Unidos da América estão na vanguarda das evoluções tecnológicas, a tecnologia é a nova força impulsionadora do mercado mundial, no entanto, para estudar ou trabalhar nas grandes indústrias tecnológicas é preciso formação, e para ter formação é necessário dinheiro, e assim, num país desastrado economicamente, onde só alguns têm acesso ao conhecimento, faz com que voltemos ao mesmo problema. Existirá sempre um fosso entre os que têm conhecimento e capital económico e os que nada têm. Voltámos a ficar resignados. Vamos perder a esperança na nossa natureza e resignarmo-nos?
Se em Hegel, o homem procura o indeterminado – saindo do estado de natureza, em Kant, o homem é um produto (devir) que se inscreve no tempo. A Educação visa o futuro conservando as melhores coisas que vêm do passado, Kant pensa isto a nível supra – individual, isto é, o processo educativo é individual mas não se limita ao indivíduo isolado, não há uma educação isolada – “é um processo a assegurar por outros homens.”
Este processo de humanização é temporal a nível geracional, é o homem que faz o próprio homem. É na conservação desta linha temporal e supra – individual que o homem se conserva, aliás, depende sempre dos cânones humanos para que a humanidade se conserve, é por isso que esta inovação acompanhada de uma razão reguladora que o homem aumenta a sua representação numa natureza assente em três pontos que de certa forma mostram a natureza da nossa bestialidade: possuir, prazer e poder. A questão da educação é uma questão política, porque é esta que ordena o projecto. Esta última premissa ofusca a intenção do devir Kantiano, porque o Homem “é o seu próprio projecto”, e a educação potencializa a liberdade, a perversidade e depravação de existirem grupos que queiram conduzir este homem a um caminho diferente de uma liberdade, provocam um equívoco à existência e sentido da clarificação dos valores humanos.
Em suma: Se Heidegger pretende esquecer o humanismo e voltar toda a reflexão para o homem. Nietzsche perde a paciência no próprio homem e propõe a criação de um homem “emendado”, aliás, Nietzsche deixa as emendas e parte para um supra – humano, um homem limpo da sua natureza. Platão é-nos apresentado como um homem sem rodeios mas confiante num sistema (parque humano) onde uma cidade pode funcionar. Platão é funcional, mas tal como Nietzsche, falha na tentativa de uma criação de oportunidade e de reflexão honesta virada na satisfação de uma sustentabilidade amparada na história da intersubjectividade. Sloterdijk é um crente no humanismo. Regras para um parque humano é um contributo puro e honesto, é uma reflexão, é um exercício filosófico. Quem sabe, Sloterdijk confia no futuro e na inscrição do homem na história, e ele, tal como todos nós, queremos fazer parte dela.
i Leviatã ou Matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil, Thomas Hobbes, tradução - João Paulo Monteiro, Maria Beatriz Nizza da Silva, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1995.
ii Also sprach Zarathustra, Kritische Studienausgabe, vol. 4, 1983-1985, pp. 221-214; Assim Falava Zaratustra, Relógio d´Água, Lisboa, 1998, pp. 193-196
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Guilherme Castanheira
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sexta-feira, abril 1
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