sábado, abril 16

Geração das Ideias

Tive o prazer de conhecer os intervenientes daquela manifestação que ocorreu durante um jantar comício do PS em Viseu. Enquanto falávamos do estado da nação, e claro está, das dificuldades que muitos dos jovens em Portugal (mais dificilmente, os jovens do interior) atravessavam, ocorreu-me a ideia que esta parte da sociedade não é tanto uma geração à rasca, mas sim uma geração cheia de ideias interessantes e transformadoras, mas por estar tão condicionada a dogmas políticos e institucionais não consegue libertar-se e por conseguinte transforma-se na tão falada – geração à rasca -.
Esta geração cheia de ideias é o nosso futuro enquanto nação que vai saindo de uma menoridade instalada desde à muito. A tal momento, perguntei a um deles o que fazia se recebe-se uma proposta de trabalho precária? A resposta foi simples: - aceitava e continuava a luta pela precariedade.
 É esse o espírito. A geração das ideias veio para ficar e eu estou com eles. 

domingo, abril 10

ALEG(o)RIA da CAVERNA

ALEG(o)RIA da CAVERNA vai voltar à Livraria Cabeçudos nos próximos dias 23 de Abril, 21 de Maio e 25 de Junho. 

as oficinas estão abertas para pais e filhos dos 4 aos 10 anos (quem diz pai, diz mãe ou avós ou tia!) 
 
Onde fica? Livraria Cabeçudos – R. Comandante Cousteau, Lote 4.04.01 Loja A (na Expo, perto da Torre Vasco da Gama)
 
 
 

Os porquês da palavra porquê 
formação para pais, educadores, professores, animadores e interessados nas metodologias
 
7 de Maio, em Lisboa | Workshop de 6h sobre Filosofia para Crianças
 
Programa:  
Módulo I – 3,5h
(Possíveis) contributos da Filosofia para o desenvolvimento do pensamento das crianças:
- O Programa “Filosofia para Crianças” de Matthew Lipman 
- Óscar Brenifier: da narrativa ao problema em si 
- Outros autores de referência: Catherine C. McCall.
 
Módulo II – 1h
Novas práticas filosóficas em Portugal
- cafés filosóficos
- filosofia nas prisões
- filosofia e desporto
 
Módulo III – 1,5h
Aplicação dos conhecimentos | prática do questionamento
 
 
informações: Nova Etapa | info@nova-etapa-pt 
 
 
agradeço a divulgação :) 
 
Joana
 
follow me on Twitter: @pensarcriarser

quarta-feira, abril 6

Bibliografia relevante para o estudo aprofundado da educação [humanismo]

Y.J Harder, “La pulsion à philosopher” in J.C. Goddard (Org.) La pulsion, Paris, Vrin, 2006.
Peter Sloterdijk, Regras para o parque humano : uma resposta à "carta sobre o humanismo" : o discurso de Elmau ; trad. Manuel Resende, Coimbra, Angelus Novus, 2007.
Immanuel Kant, Sobre a pedagogia, trad. João Tiago Proença,Lisboa : Alexandria, 2003.
Martin Heidegger, Carta sobre o humanismo, trad. rev. Pinharanda Gomes, Lisboa : Guimarães Editores, imp. 2007.
Platão , A República, introd, trad. e notas de Maria Helena da Rocha Pereira, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2008.
Hannah Arendt, Entre o passado e o futuro : oito exercícios sobre o pensamento político, trad. José Miguel Silva, Lisboa, Relógio d'Água, 2006. Cap. 5 : A crise na educação.
Sigmund Freud, O mal-estar na civilização e outros trabalhos; trad. do alemão e do inglês sob a dir.-geral de Jayme Salomão ; trad. de José Octávio de Aguiar Abreu ; rev. técnica de Walderedo Ismael de Oliveira ; coment. e notas de James Strachey, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1969.
Ernst Cassirer, Ensaio sobre o homem, trad. de Carlos Branco, Lisboa, Guimarães, 1995.

Filosofia da Educação, aulas proferidas por Olivier Féron

Daily Show: Diane Ravitch - The Death and Life of the great american school System



”Regras para um Parque Humano” de Peter Sloterdijk (2/2)


Terceira Parte: O pequeno mundo dos grandes resignados.
Se em Thomas Hobbes, o “homem é o lobo do homem”i, segundo a visão de Nietzsche o homem é o animal doméstico do homemii, ora, isto levanta questões éticas actuais que põem em risco a própria natureza do homem. Todo o Humano confrontado entre a escolha de – Liberdade ou – Segurança, prefere e opta pela segurança, abdicando de toda a liberdade e de todo o pensamento dito humanista. Para uma grande maioria, nem se quer de um dilema se trata esta questão, e aqui Nietzsche profetiza uma sociedade nestas condições, onde o homem selvagem mas genuíno é substituído por um outro ser geneticamente domesticado. Como o humanismo clássico falhou, onde “a relação necessária entre o ler, o estar sentado, e o amansamento” faziam a educação / domesticação do homem selvagem, em Nietzsche o homem caminha para o tempo dos Espartanos, onde a selecção à nascença era uma condição para a prolongação da espécie / tribo. Contudo, o processo de domesticação antropotécnico que Nietzsche revela não é muito diferente do humanismo clássico que já referimos anteriormente, aqui a diferença continua a ser a mesma, visto que irá existir o seleccionado e o que selecciona. O homem, tal como Sartre afirmava na obra: O existencialismoiii é um Humanismo, estará condenado a ser sempre livre. Ora, o homem existe em si mesmo, é o um ser primordial, podemos dizer que é uma definição. O que acontece neste conceito de definição, é o da impossibilidade, visto que existe a tendência do – outro nos definir, de nos seleccionar.
A tese de Nietzsche, apresenta um homem indeterminado nele mesmo, isto porque, o homem é algo que nasce da antropotécnica, logo o que determina o homem enquanto ser - aí? Esta é a grande falha que Sloterdijk apresenta em Nietzsche.
Quarta Parte: Platão – O Mestre do inconformismo?
Sendo a Sociedade um aglomerado de pessoas com funções diferenciadas e estatutos organizacionais, é necessário manter uma ordem para que os homens consigam conduzir a sua sociedade ou comunidade ao melhor caminho, isto é, para melhorar a organização e criar ordem e equilíbrio, porque é de equilíbrio que se trata são necessárias regras.
Esta ideia de aglomerado faz com que uma organização desta natureza seja semelhante a um – Jardim Zoológico [Parque Humano]. “O que se apresenta como uma reflexão sobre política é na realidade uma reflexão fundamental sobre as regras de funcionamento de um Parque Humano.”
É o homem que cuida do próprio homem, é ele que ensina e que mantém viva a civilização, esta é a máxima condição de sobrevivência. Porém, esta ideia platónica não é muito diferente das que já mencionei anteriormente. Existe a direcção [pastor] e a população [ovelhas], resta saber que tipo de diferença existe, se um diferença de grau, ou uma diferença mais especifica.
Na diferença de grau, estaríamos unicamente sobre uma condição pragmática e casual, ao contrario da diferencia especifica onde a direcção tinha uma condição intelectual, sofista. Que erro é que este exercício filosófico possui? O mesmo de sempre. Só quem tiver educação – num sentido estritamente humanista -, é que consegue chegar aos lugares de direcção. Todavia, quem decide quais as crianças que devem ser educadas das que não devem ser educadas? Se tivermos em conta que este tipo de organização não irá permitir as mais pobres de um direito adquirido, que é a educação. Os métodos de selecção são suspeitos, mas é este tipo de sistema que faz o que história nos tem mostrado, - injustiças, guerras e uma verdadeira descrença pelo homem.
Conclusão:
No filme Inside Job de 2010 é lançada uma questão no final do filme: - Os Estados Unidos da América estão na vanguarda das evoluções tecnológicas, a tecnologia é a nova força impulsionadora do mercado mundial, no entanto, para estudar ou trabalhar nas grandes indústrias tecnológicas é preciso formação, e para ter formação é necessário dinheiro, e assim, num país desastrado economicamente, onde só alguns têm acesso ao conhecimento, faz com que voltemos ao mesmo problema. Existirá sempre um fosso entre os que têm conhecimento e capital económico e os que nada têm. Voltámos a ficar resignados. Vamos perder a esperança na nossa natureza e resignarmo-nos?
Se em Hegel, o homem procura o indeterminado – saindo do estado de natureza, em Kant, o homem é um produto (devir) que se inscreve no tempo. A Educação visa o futuro conservando as melhores coisas que vêm do passado, Kant pensa isto a nível supra – individual, isto é, o processo educativo é individual mas não se limita ao indivíduo isolado, não há uma educação isolada – “é um processo a assegurar por outros homens.”
Este processo de humanização é temporal a nível geracional, é o homem que faz o próprio homem. É na conservação desta linha temporal e supra – individual que o homem se conserva, aliás, depende sempre dos cânones humanos para que a humanidade se conserve, é por isso que esta inovação acompanhada de uma razão reguladora que o homem aumenta a sua representação numa natureza assente em três pontos que de certa forma mostram a natureza da nossa bestialidade: possuir, prazer e poder. A questão da educação é uma questão política, porque é esta que ordena o projecto. Esta última premissa ofusca a intenção do devir Kantiano, porque o Homem “é o seu próprio projecto”, e a educação potencializa a liberdade, a perversidade e depravação de existirem grupos que queiram conduzir este homem a um caminho diferente de uma liberdade, provocam um equívoco à existência e sentido da clarificação dos valores humanos.
Em suma: Se Heidegger pretende esquecer o humanismo e voltar toda a reflexão para o homem. Nietzsche perde a paciência no próprio homem e propõe a criação de um homem “emendado”, aliás, Nietzsche deixa as emendas e parte para um supra – humano, um homem limpo da sua natureza. Platão é-nos apresentado como um homem sem rodeios mas confiante num sistema (parque humano) onde uma cidade pode funcionar. Platão é funcional, mas tal como Nietzsche, falha na tentativa de uma criação de oportunidade e de reflexão honesta virada na satisfação de uma sustentabilidade amparada na história da intersubjectividade. Sloterdijk é um crente no humanismo. Regras para um parque humano é um contributo puro e honesto, é uma reflexão, é um exercício filosófico. Quem sabe, Sloterdijk confia no futuro e na inscrição do homem na história, e ele, tal como todos nós, queremos fazer parte dela.


i Leviatã ou Matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil, Thomas Hobbes, tradução - João Paulo Monteiro, Maria Beatriz Nizza da Silva, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1995.

ii Also sprach Zarathustra, Kritische Studienausgabe, vol. 4, 1983-1985, pp. 221-214; Assim Falava Zaratustra, Relógio d´Água, Lisboa, 1998, pp. 193-196

iii Doutrina que proclama que toda a verdade e acção, implica um meio e uma subjectividade humana

terça-feira, março 29

Dilma Rousseff na Universidade de Coimbra. Eu vi-a!


O video é de curta duração e mostra a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff a passar junto à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi durante a aula de História e Sociologia da Educação.

domingo, março 27

[Melhores alunos do secundário não se sentem à rasca e acreditam na "cultura do mérito"]

Segundo a Daniela Adónis Carneiro do jornal Público, os melhores alunos do secundário não se sentem à rasca. Obviamente que não. Também eu acredito na meritocracia. Ao lermos o pequeno texto, percebemos que o título é bem mais provocador que o próprio conteúdo, isto porque não revela nada, isto é, o texto apresenta-se de uma forma provocadora e quase ingénua, para não falar de falaciosa. Porém, o mesmo consegue e tem potencial de reflexão, e é esta reflexão que o Público não deu mas que eu darei. 
Infelizmente não se pensa a educação a longo prazo. Em Portugal pensamos na educação de 4 em 4 anos. Pior que isto é felicitarmos um sistema de ensino em que estão inseridos milhares de jovens, mas que só 4 ou 5 conseguem chegar ao topo. Isto é o típico humanismo burguês. O sistema de ensino é construído para que só alguns consigam singrar na vida. Ficava feliz que o ciclo se inverte-se. Em vez de termos 5 no topo, teríamos 5 na base, isto sim, era motivo de festa e alegria. Para se ser bom é necessário muito trabalho, bons professores, boas escolas, um ambiente familiar óptimo, traduções, materiais didácticos, enfim... aquelas coisas que o ministério ignora. 

sexta-feira, março 25

Direito da Internet e Pirataria

Eis dois artigos que podem interessar a alunos de Direito e não só. Neles, está "patente" o desenvolvimento que tem sido efectuado na batalha da pirataria. Do Napster ao itunes, é só clicar em download. Assim, é interessante ver os argumentos que estão envolvidos nesta luta global. A ideia de internet é por si só uma ideia de liberdade e de transparência. Todos podem partilhar conhecimento, cultura, etc etc. Mas quando uma nova ordem quer o seu dominio, as coisas complicam-se. De um lado temos os que querem livre acesso à informação, por outro temos os que condicionam a informação. (.rar - os artigos foram digitalizados e por isso estão em .jpg)

http://www.mediafire.com/?knp9pg6embfp3py

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Autor: Seminara, Sergio
Título: La pirateria su Internet ed il diritto penale / Sergio Seminara
Aida : Annali Italiani del Diritto d'Autore della Cultura e dello Spettacolo. Milano: Giuffrè. N. 5 (1996) p. 183-222
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Autor: Landes, William

Título: Indirect liability for copyright infringement : napster and beyond / William Landes, Douglas Lichtman
The Journal of Economic Perspectives. Nashville: A.E.A.. ISSN 0895-3309. Vol. 17, N. 2 (2003) p. 113-124

sábado, março 19

The Gift - Quem os viu já não os quer ver [explode]

Quem gosta dos The Gift e está neste momento a ouvir o novo álbum (Explode) deve estar a pensar - "Mas que raio???".
Depois do último álbum lançado em 2006 (Fácil de entender), onde os The gift personalizavam aquilo que sempre foram, isto é, uma banda de músicas introspectivas com uma melodia baseada numa estilo pop rock sentimentalista que dava cartas a qualquer banda do género em todo o mundo. Assim, fazia-se crer que este interregno de 5 anos seria para fermentar o que se esperava ser uma "pomada" daquelas que nos fazia salivar logo aos primeiros acordes. Contudo, -Explode está longe de tudo aquilo que esperaríamos, a contar pela capa, estará longe das raízes que os fundaram. É claro que este álbum não os irá destruir, isto porque eles têm uma história discográfica quase inabalável e isso é um facto, mas a musicalidade deste novo álbum é tão naife, tão repetitiva e cansativa que uma pessoa desiste logo à segunda faixa. 

segunda-feira, fevereiro 28

bundlr - é como ter os "favoritos" online

Bundlr apresenta-se como uma ferramenta de gestão de conteúdos. Este projecto, desenvolvido em Portugal (Coimbra), apresenta um design simples e intuitivo. A sua função permite guardar, isto é, organizar os links que achamos importantes numa só plataforma, é como se tivéssemos  os nossos "favoritos" ou "marcadores" on-line, o que permite aceder em qualquer parte do mundo sem ter que andar com o PC atrás. Uma das vantagens é o fácil registo, basta ter uma conta do twitter ou até mesmo facebook.

Bundlr ( gobundlr.com ) from Bundlr on Vimeo.

terça-feira, fevereiro 8

O lugar da lógica e da argumentação no ensino da filosofia

«A lógica e a argumentação são áreas filosóficas fundamentais e transversais em relação ao conhecimento humano de maneira geral (e não apenas às chamadas ‘ciências sociais e humanas’), e absolutamente nucleares para a formação de um espírito crítico, dialógico e construtivo nos nossos jovens (e quiçá filhos e/ou familiares) e futuros concidadãos. São-no de uma forma incomparavelmente bem mais marcante e decisiva do que aquelas com que a matemática e as disciplinas tecnológicas, para as quais está virada hoje em dia a atenção dos media e de alguns sectores de relevo na nossa sociedade, contribuem para o efeito. Acresce que o ensino da lógica e da argumentação parece ser igualmente essencial para uma formação abrangente nas competências necessárias à própria frequência dos cursos tecnológicos, como alguns especialistas da didáctica destes têm vindo a sugerir nos últimos anos, talvez sem o impacto merecido. Mas uma apercepção clara destas ideias por parte dos agentes e instituições com responsabilidades na planificação e organização curricular do ensino secundário em Portugal, ainda não teve a expressão e alcance há muito esperados pelos filósofos directamente interessados pelo assunto. Chamar a atenção para elas, promovê-las e difundi-las dando-lhes o relevo social adequado, era um dos propósitos tanto dos organizadores do colóquio [‘O lugar da lógica e da argumentação nos programas de filosofia do ensino secundário’, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 4-5 de Dezembro de 2009] como dos seus participantes.»

In «Prefácio».

sexta-feira, janeiro 7

”Regras para um Parque Humano” de Peter Sloterdijk (1/2)

Depois de ler este livrinho (porque é pequeno) do senhor Peter Sloterdijk fiquei entusiasmado, e decido assim partilhar. Para quem me acompanha desde sempre no blog, irá entender certamente, o teor desta belíssima obra que serviu de mote a uma conferência que o próprio deu no Castelo de Elmau, na Baviera, a 17 de Julho de 1999 faço assim, uma síntese dividida em duas partes.


Primeira parte: A Educação, como princípio transformador de uma sociedade, o inicio do Humanismo. [e Porque falhou o Humanismo?]
Peter Sloterdijk inicia assim a obra: “Os livros, disse uma vez o poeta Jean Paul, são cartas volumosas dirigidas aos amigos.” O Homem é um ser naturalmente pulsante[i], age por pulsão do seu instinto selvagem. Segundo o Humanismo clássico - “a boa leitura amansa.” Inicia-se o período de alfabetização, isto é, de humanização. O homem sai da caverna, sai da menoridade e vai ao encontro da luz. Um defeito deste modelo humanizador é que separa socialmente os que sabem dos que não sabem. O conhecimento é transformado em poder.  No humanismo clássico, o homem virtuoso é aquele que é sábio. Surge aqui um humanismo burguês, porque seria uma elite a comandar o fenómeno chamado humanização.
Na Modernidade o humanismo torna-se ele partidário e faccioso. Destacam-se três correntes: Cristão, Marxista e Existencialista. Idealmente o humanismo, que parecia ser um acto de amor, livre e calmante para servir de antídoto à pulsão humana, tornar-se-ia a médio prazo um modelo escolar e educativo que foi ultrapassado porque se tornou insustentável a ilusão de que as estruturas políticas e económicas de massas possam ser organizadas segundo o modelo amigável das sociedades literárias. O grande drama que Sloterdijk insinua é a pretensão que existe em construir uma sociedade em que o Homem seja domesticado, o que parece mais grave são as formas e métodos que muitos teóricos afirmam como ideal nesta construção de um estado social, aliás, de um parque, como se de um zoológico se tratasse, o poder de queres domesticar as ovelhas de um rebanho onde só existirá um pastor.
Como terminaria o humanismo clássico? Ora, as sociedades litúrgicas, os eruditos e os fãs dos cânones perderam influência. Aquele que se tornara pastor, isto é, o politico, o que manda, deixara de ser o sábio intelectual e domesticado. Deixou de haver uma sociedade de sábios, passando a existir uma sociedade de políticos, de gestores do património do estado. O Humanismo passou a ser encarado como uma aculturação, devido é certo, a uma crise de saberes canónicos.
Segunda parte: A essência do Humano. Heidegger em modo existencial
Heidegger propõe que deixemos de lado o humanismo como forma de educar o homem. O ideal de uma sociedade alfabetizada e literária chegou ao fim. Segundo ele, o humanismo moderno desvirtuo o homem no seu sentido mais profundo. Depois da segunda grande guerra, seria necessário examinar de forma diferente o próprio ser (dasein), seria necessário dar um sentido aberto ao homem visto que se manifesta na realidade da existência. O problema do mundo estava no próprio homem era necessário olhar só para o homem. “O homem habita na verdade do ser.”[ii]
Para Peter Sloterdijk o ideal que Heidegger tenta construir para um melhor entendimento entre o homem e a sua existência é totalmente absurdo e inconsequente, na medida em que estaria perante um “inumanismo”, ou seja, deixamos de ter presente um campo pedagógico, para passarmos a estar num campo puramente onto – antropológico, isto quer dizer; o homem aprende por ele mesmo, através da “reflexão” do ser com o próprio ser. Se o Ser é o todo em si mesmo, e a linguagem a sua morada então estaríamos automaticamente domesticados, aliás, seriamos todos puros e bons, porque não haveria acção nem confronto, dado que seriamos “autistas” dentro de um mundo “autista”.


[i] Harder, Yves-Jean, La Pulsion à Philosopher, 2006
[ii] - AA. VV., Logos, Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia, 2.º Vol., Lisboa/São Paulo, Editorial Verbo, Janeiro de 1990, p. 1059


sexta-feira, dezembro 3

Alvitres para fazer uma licenciatura em filosofia sem dificuldades

Uma pequena advertência:
O que irá ser exposto aqui, é um mero exercício satírico e filosófico. O Filósofo Diógenes não está directa ou indirectamente ligado a este projecto. Qualquer personagem ou situação tem que ser entendida como mera causalidade.  
Bem - Vindos!
Quando estiverem indecisos (ou não) em qual a universidade que irão estudar filosofia, mandem um email a cada director da licenciatura a perguntar-lhe porque é que o curso naquela universidade é melhor que as outras. Se ele responder, já é um óptimo principio, e aí, deixem-se convencer pelas respostas, a melhor resposta ganha, porque é isso que vão fazer durante 3 anos, é deixarem-se convencer pelas melhores respostas.
Depois de entrarem na universidade, escolham um grupo porreiro e formem um núcleo de estudantes. Esta será a única forma de entrarem no sistema, usando a força do grupo. Mas se a universidade já possuir um núcleo melhor ainda.
Não confundam a matéria dada nas aulas com o professor. Isto dará muito jeito, na medida em que podem encontrar professores muito mesquinhos e por conseguinte a matéria irá soar mal e o vosso rendimento baixar. Por isso, respirem fundo, falem pouco nas aulas dele e plagiem o máximo que conseguirem. 
O plágio académico só é válido quando o professor é desinteressante. Nestes casos não vale a pena perder muito tempo no estudo.
As cábulas dos testes só são válidas no primeiro ano da faculdade. Depois disso torna-mo-nos desonestos intelectuais.
Cuidado com todos os didactas franceses.  Todos eles são como Napoleão, adoram proclamar-se imperadores de qualquer coisa. 
Só podes suspeitar intelectualmente de um professor, se tiveres tido mais do que um semestre com ele, e para isso não podes suspeitar sozinho. O núcleo tem que ser unânime nessa suspeita. No entanto, suspeitar de qualquer coisa é uma verdadeira perda de tempo.
Lê muito e variado. 
Dá máxima atenção aos pensadores da antiguidade e também aos medievais. Porque filosofavam enquanto pessoas e não como Deuses.
 Se não forem muito aplicados nos estudos, mas até gostarem do espírito filosófico, e tiverem dificuldades nalgumas disciplinas, não se preocupem, apliquem-se ao máximo naquelas em que se sentem melhor. Um bom aprendiz de filosofia refugia-se na tecnicidade para ofuscar a ignorância total, porque só assim, é que não são acusados de ter uma licenciatura em filosofia sem filosofia. Nalguma área da filosofia podes ser bom. É como os médicos. Há especialistas para qualquer parte do corpo.


quarta-feira, novembro 10

Colóquio Internacional «Emergência e Autonomia do Político (Tardo-Medievo e na Proto-Modernidade)»

Colóquio Internacional «Emergência e Autonomia do Político (Tardo-Medievo e na Proto-Modernidade)» no âmbito do IPF - Instituto de Filosofia Prática da Universidade da Beira Interior – Covilhã, nos dias 25 e 26 de Novembro

segunda-feira, novembro 1

Malaria No More UK: The Hunting Moon

Ora aqui está uma verdadeira campanha (acção social, ou comercial?) inovadora contra a Malaria. Somos convidados a participar, doando, ou ajudando em sugestões para o final de um "filme". No entanto, a ideia principal deste "trailer" passa por, em forma de analogia, alertar as pessoas para o alastramento sem precedentes que a doença da malaria tem em África. A ideia foi simples. Um grupo de jovens Ingleses foram passar férias a África, mas logo se vêm confrontados com uma criatura sugadora de sangue, que tipo de criatura será esta? Achei bastante curiosa a organização e produção de uma iniciativa destas. A parte didáctica do projecto é desenvolvida de forma não exageradamente alarmista, mas que por sua vez atinge os seus objectivos informativos. 

Este projecto é um bom exemplo das boas práticas das industrias criativas, que já nos habituaram a uma manipulação quase declarada. Neste caso, e não por ser para fins humanitários,  os objectivos são simples: Informar os mais jovens e por conseguinte os seus pais, Nunca esquecendo que África é já ali ao lado e que existem pessoas que vivem todos os dias o mesmo horror que o trailer demonstra. Por que não ter medo? A ficção, neste caso, não é mais que uma pequena alteração de personagens, isto porque o cenário é o mesmo e todos fazemos parte dele. 


sábado, outubro 30

Alain de Botton - O Sr. que vê Filosofia em tudo que é sitio de novo em Cinema

Já se encontra disponível para visualização online o filme My Last Five. Para quem já leu, admira, ou acha interessante o que o Sr. Alain de Botton faz com a filosofia (adapta a filosofia à vida quotidiana ) aqui está mais uma produção baseada num dos seus primeiros livros -Ensaios de amor.

Podem fazer o download aqui ou ver on-line e legendado aqui e ainda podem ler o livro comprando aqui

terça-feira, outubro 19

Onde é que eu já vi isto? [MINI Getaway Stockholm 2010]



Numa altura em que a industria dos video jogos tem mais lucro que a cinematográfica, este spot publicitário apresenta-se como uma nova tendência de Marketing do futuro. Sim, porque marketing desta forma e conceito só visto mesmo no cinema. Depois disto, não se deixem "espantar" pelo precedente transformista que a nova vaga de divertimento "fora de casa" vai trazer. Algo de grandioso irá aparecer num futuro muito muito próximo. Vejam também este trailer (AQUI)