segunda-feira, junho 5

Lugares comuns

Meia luz,
tons discretos de azul no sofá,
Spiritual
do Charlie Haden,
bolo de laranja no forno,
vinho,
sem rolha.
Olho pela janela,
estacionamento está vago,
ainda não chegou!
Mas vais chegar.
O bolo de laranja está no forno
Haden a terminar.
Estacionamento ocupado.
Comuns são os lugares preparados,

ambientados e a meia luz,
elevador desce - elevador sobe.
Ouço o que é material,
escuto o que é espiritual.


quarta-feira, maio 24

segunda-feira, maio 22

Quase lá


Nascia uma nova categoria sensível no momento em que entrava no teu carro, nada de muito profano mas também não muito sagrado.
Só vagas palavras podem descrever as deslocações históricas do movimento cinésico que nos espantavam durante o ócio contemplativo da viagem.
Foi sempre a viagem.
A nossa viagem.

quinta-feira, maio 18

FILMES (IR)REFLETIDOS: JORNADAS DE FILOSOFIA DO CINEMA



PROGRAMA


18 DE MAIO
Anfiteatro da Parada / Universidade da Beira Interior

9H30
Abertura oficial
Paulo Serra – Presidente da Faculdade de Artes e Letras

10H00
Crítica de cinema e experiência estética
Tito Cardoso e Cunha

Do cinema filosófico à filosofia cinemal
André Barata

Oh my god, it’s full of stars! O sublime em 2001 – Odisseia no Espaço
Luís Nogueira


14H00
Liv Ullmann: reflexões e sensibilidades de uma atriz melancólica
Ana Catarina Pereira e Anderson de Souza Alves

Peixes e Deuses: A condição humana em Lifeboat de Hitchcock
Ana Leonor Morais Santos

A estética de Tocha ou uma experiência do recolhimento
José A. Domingues

Falar com o cinema de Asghar Farhadi – carta aberta dirigida ao realizador iraniano: O Vendedor ou as interpelações que começam pela vingança
António Rebelo

sexta-feira, março 31

Anos 80


Quando um corte de cabelo consegue definir uma década é porque algo de errado existia naquele tempo.

segunda-feira, janeiro 30

sexta-feira, janeiro 27

quarta-feira, agosto 24

Encalhados


Diz-se encalhado a todo aquele que está onde não deve estar, ao ex-cêntrico -fora do centro-, aquele cuja função representa uma natureza modificada. Encalhado é o oposto do movimento, o que está parado.
No entanto, esta natureza extrema tem um sentido declarado de ilusão sobre uma liberdade ligada ao nada, a um não ser, a uma rejeição da sua virtude.
Há encalhados, e encalhados.

terça-feira, agosto 23

Acerca da Conquista no Amor


Dia após dia vamos sendo um bocadinho mais para nós. Esta sensação maravilhosa de conquista, de consciência que os relacionamentos são uma maratona e não um sprint, a sensação de ter todo o tempo do mundo para alguém, para nós.
É como se estivéssemos a tecer um tapete, o tapete das nossas vida, o tapete dos nossos Eus. Um tapete onde há desenhos mais ou menos bonitos. Um tapete que muitos vão querer pisar ou esconder no lugar das coisas perdidas.

Este tapete é um tapete inacabado, que procura estar em constante transformação. Sem tamanhos, sem formas, sem utilidades, só um tapete.
Somos os artesãos, somos as Moiras, somos aquilo que quisermos ser. No limite, seremos um tapete, um belo, mas imperfeito tapete.


domingo, agosto 21

Expressão


Ao exprimir-nos corremos um risco...mas quando nos calamos, estamos a demitir-nos da verdade.
Que horror!
Isto parece aquela música dos Clã...


Não Essencial



Essência significa o que é, "o que verdadeiramente é". Numa linguagem filosófica, o conceito de essência assume aquilo pelo qual o ente é determinado  a estar presente ou ausente. Já Essencial é o que constitui a essência. 
Muito difícil? 
Eu sei, para mim também. 
Ironicamente, estes conceitos foram explorados, de forma muito rigorosa, por um povo, que mais tarde se veio a perceber, não ter entendido o que é a essência e o essencial, reduzindo tudo à sua volta em algo não-essencial.

sexta-feira, agosto 19

Remedios Varo Uranga - Dead Leaves


Os nossos desejos e experiências devem ser interpretados da forma mais radical possível, sem complexos. 
Não podemos viver como a ruiva que Remedios Varo apresenta em "Dead Leaves": cujo desejo de desconstruir o passado em busca de uma consolação poética que leva a uma negação modelada da sua própria vida, isto é, da sua experiência. 
Saibamos interpretar, não sentados, nem sozinhos, o radicalismo que foi e é a nossa vida. 
Uma ruiva, com aqueles atributos, incapaz de se ligar aos outros, precisa, inevitavelmente, de algo mais...algo que a leve a construir e a assumir os seus desejos... Afinal, desconstruirmos para construir, certo? 

quinta-feira, agosto 18

Por onde andas?


Normalmente, o que mais desejamos é o que mais nos aterroriza.

segunda-feira, agosto 15

Maturidade da consciência


Maturidade da consciência:

Encontrar o lugar certo para nós (eu e ela), e vi-ver a banalidade do dia-a-dia como uma bênção.

quinta-feira, agosto 11

Descobrir o estóico que há em nós


Só um estóico consegue conceber a ideia de dor no amor. Só alcançamos a felicidade se percebermos como o outro funciona e, a partir daí, viver como se de uma maratona eterna se tratasse. O pior é que nem todos querem ser estóicos, mas todos querem a felicidade sem dor. Quem não quer?

terça-feira, agosto 9

Felicidade enclausurada


Imaginemos que teríamos 300 caracteres para conseguir atrair a mulher da nossa vida. Que palavras usar? O que reforçar; riqueza e promessas? Escrever o que valorizamos - ou não- na pessoa e aquilo que somos e o que não somos, mas ansiamos ser ou ter? Poderá o amor caber num espaço de 300 caracteres?

(usei 300 caracteres para escrever este texto)

domingo, agosto 7

Guarda de Objectos


Na Filosofia o Objecto, é aquele que se opõe, o que a-parece em frente ao sujeito, numa análise redutora, é tudo aquilo que não é consciente, por isso é que fica de fora do sujeito, do que verdadeira-mente interessa, mas que ainda assim possui a capacidade de ser guardado, catalogado, apreendido pelo sujeito. Ainda bem que existem lugares com sujeitos que guardam objectos, os nossos objectos.


A foto foi tirada no estádio do dragão, Porto.

sábado, agosto 6

Os Inúteis de Fellini e a fabulosa despedida com sabor a prelúdio.

 
A nossa vida é um conjunto de rotundas; umas maiores, umas mais pequenas, umas com mais ou menos saídas.
Uma rotunda presume uma entrada e uma saída, existe para facilitar quem anda na estrada, quem se movimenta, consegue criar a ilusão que somos livres e cuja decisão do caminho é nossa
Moraldo, grande Moraldo. Aquele desassossegado que em Os Inúteis de Fellini provoca o nosso espírito a fazer algo, a reflectir sobre a nossa rotunda.
Fellini, através de Moraldo, não nos diz como sair da rotunda, vai mais longe, diz-nos que quando pensamos na rotunda, na nossa rotunda, é sinal que já estamos fora dela, um sintoma de que encontramos-nos a caminho do desconhecido, numa espécie de salto de fé existencial.
Moraldo, na sua despedida com sabor a prelúdio, enquanto se despede de Guido, fica constrangido por não saber qual o seu destino. Este é o momento, é a chave da nossa natureza inquietante, mais do que saber para onde vamos, temos que ir, temos que embarcar, confiar na rebeldia do nosso espírito e seguir rumo ao sossego, porque sentindo o desassossego, conseguimos escutar, e escutando, conseguimos partir.
:
G: Se não sabes para onde vais, porque vais?
M: Não sei. Tenho que sair daqui, tenho que partir.
G: Mas não estás cá bem?
M: Adeus Guido...
:
Bem Vindo, Moraldo!

quinta-feira, agosto 4

Desejos


Platão dizia que "os três desejos de toda a gente são: ter Saúde, ser Rico de modo honesto e ser Belo". Eu cá contento-me com o ser Belo, não se pode ser tudo, certo?

quarta-feira, agosto 3

Cônscio


Nada lhe escapa. É espelho da alma, da natureza humana, dizem. Consegue aproximar, consegue afastar, consegue identificar, mas também consegue odiar. O Olhar, sim, esse elemento transversal a todos nós. Aquele cujo "outro olhar" expõe, que nega, que possibilita e aponta ao próprio a ilusão da verdade e do espaço. Vivemos em lugares de olhares, de variados olhares disfarçados de azuis, castanhos, cinzentos, verdes e negros, todos eles olhares disponíveis a reduzirem-nos ou a transcender-nos.
De olho em ti e de olho em mim, é assim na terra dos olhares.

terça-feira, agosto 2

Acerca da Espera


Esperar pressupõe uma chegada, um acontecimento, portanto! Existe uma condição na espera. A melancolia é a condição que dinamiza a espera, vejam o caso de Penélope; aquela que entrelaça fios sob fios, aquela que des-constrói presentes, construindo futuros. É nesta temporalidade que a espera se opõe à melancolia, reduzindo e transformando a esperança em confiança porque só com confiança, num futuro desentrelaçado, conseguimos esperar no presente. O que esperamos nós? Mas mais importante que o que esperamos é como esperamos.

segunda-feira, julho 25

sexta-feira, julho 22

A dança dos pés canhotos



Video filmado numa NIKON D3300 a 21-07-2016 em homenagem a Robert Bresson.

quinta-feira, julho 21

Mãos segundo Robert Bresson



A cinema deverá, mais do que uma imitação da realidade (mimésis), deverá ser autentico na forma e no acto de criação de valores que possibilitem a construção de uma linguagem ilimitada, mas ponderada.

quarta-feira, julho 20

Victoria e o plano sequência




Victoria é um filme realizado em plano sequência.
Victoria é uma personagem com uma carência afectiva (solidão + incompreensão = carência por cumplicidade). 
No entanto, esqueçam lá a Victoria... aliás, esqueçam as personagens do filme.
Fui ver o filme por mera curiosidade intelectual. Queria ver como o realizador Sebastian Schipper se saiu, tecnicamente, com o desafio de filmar 2 horas e 20 minutos em plano sequência.
Apesar da narrativa do filme ser pobre, muito pobre, o exercício cinematográfico apresentado pela equipa de Schipper irá, certamente, colocar Victoria na história do cinema europeu.
O filme pode ser, na minha perspectiva, entendido com a forma como olhamos o movimento. Mais; estamos tão obcecados com a técnica e com o fluxo que daí deriva que nos esquecemos da imagem real, da vida real, das pessoas reais.
Victoria é o sintoma da experiência estética e da metodologia que encerra a lógica da experiência humana é, portanto, um vislumbre daquilo que já foi o cinema clássico, i.e., a técnica sobrepõe a natureza dialéctica das personagens sem que haja possibilidade de vinculação entre as mesmas.
Mesmo assim, Victoria é um bom exercício cinematográfico, mas não passa disso, infelizmente!

segunda-feira, julho 11

Billions [T1 EP5]


"Perguntar o que uma pessoa é, abstraindo-nos da sua própria auto-interpretação, é formular uma questão fundamental mal orientada, para a qual, em principio, não poderá haver resposta. Nós não somos eus da mesma forma que somos organismos, nem temos eus da mesma forma que temos corações e fígados."

-Charles Taylor, Sources of the Self

quarta-feira, julho 6

Søren Kierkegaard - Definição de Homem


O homem é espírito. Mas o que é espírito? É o eu. Mas, nesse caso, o eu? O eu é uma relação, que não se estabelece com qualquer coisa de alheio a si, mas consigo própria. Mais e melhor do que na relação propriamente dita, ele consiste no orientar-se dessa relação para a própria interioridade. O eu não é a relação em si, mas sim o seu voltar-se sobre si própria, o conhecimento que ela tem de si própria depois de estabelecida. O homem é a síntese de infinito e de finito, de temporal e de eterno, de liberdade e de necessidade, é, em suma, uma síntese. Uma síntese é a relação de dois termos. Sob este ponto-de-vista, o eu não existe ainda.


-O desespero humano: doença até à morte

quarta-feira, junho 29

Palavra do dia: Hipostasiar


Atribuir existência substancial ou real ao que é ficção ou abstracção.

terça-feira, junho 28

O problema da intuição




Será a linguagem o maior problema da intuição?
Como comunicamos a intuição?
Que signos ou conceitos podemos usar?
Qual o objecto da intuição?
O espírito?
É possível conceptualizar o que não é conceptualizado?
Qual o método para entender a intuição?
Há uma consciência da intuição?


segunda-feira, junho 27

Homenagem a Edward Hopper


Hopper é, provavelmente, o meu pintor favorito. Primeiro, porque é um devoto da solidão. Segundo, porque pinta muito bem. Nem mais, nem menos.

sábado, junho 25

A Paixão atrasa a velocidade


Virilio tinha razão, a velocidade cria rápido e destrói mais rápido ainda. Este "assalto à natureza humana", consequência da vida moderna, cria um não-lugar na linguagem humana, o espaço reduz-se e por conseguinte não conseguimos convergir no diálogo.  
Só a paixão nos pode salvar.
Estando apaixonados, ouvirmos o outro e somos ouvidos, quase como um sinfonia perfeita entre matéria e forma.
Partilhamos músicas - como mensagens subliminares -, partilhamos excertos de literatura esquecida, discutimos o concerto de verão, e cremos, que em cada partilha, o outro se identifique com as nossas motivações. 
Apesar de não criarmos poesia, sentimo-nos poetas de um espaço partilhado, de um lugar nosso.
A paixão atrasa a velocidade destrutiva, e só ela nos pode salvar da ironia do dito desenvolvimento.
Estando apaixonados conseguimos que nos oiçam, isto é, conseguimos ser ouvidos.
Ganhamos tempo.
Partilhem, criem, sonhem,
Apaixonem-se.
Só a paixão nos pode salvar.

sexta-feira, junho 24

Ciber - Democracia

“De facto, seria muito surpreendente que a Internet conseguisse mudar, através da tecnologia, o profundo desencanto político que a maioria dos cidadãos mundiais sente”

-Manuel Castells 
A Galáxia Internet


quarta-feira, junho 22

A culpa é sempre do lobby


Escrevi AQUI a 21 de Abril de 2016, que ver a Rueff como a cara de activação da marca CGD não era muito inteligente (memória BES).
Poucos meses depois surge a noticia do "buraco" na CGD e prontamente o nosso governo muda a direcção executiva do nosso banco. Foi à concorrência (a pior concorrente) e formou uma equipa com um curriculum q.b. Um deles é o Miguel, homem simples, solteiro e sem geração, como quem diz... o lobby, aquele lobby, portanto!
Este é o cenário que consigo prever a médio prazo:
Miguel, vem da área seguradora - Allianz. A Fosun vai ficar com o Novo Banco e a Fidelidade sai de vez da CGD por conflito de interesses (e vende os 10% da Fidelidade, para abater ao prejuízo). Cabe ao Miguel resolver este processo transitório e criar uma seguradora especifica do ramo vida, para dar suporte comercial, aposto que já há nome: Caixa Seguros, com Certeza.
Venha o Miguel.

segunda-feira, junho 20

Nada como um mau Phishing para começar bem a tarde

Esta tentativa de "phishing" é tão clássica que mereceu a minha resposta ao "pescador". É por isto que mantenho a hotmail.

quinta-feira, junho 16

terça-feira, junho 14

Um olhar deslocado sobre a Cidade de Coimbra


Ruínas sem história. Bestas polidas. Transeuntes adormecidos. É na cidade, através da obra, que o ser humano, o citadino, se revela.
É necessária coragem para enfrentar a complexidade da nossa substância; 
natureza criadora, 
natureza destruidora,
natureza redentora,
é só escolher.

segunda-feira, junho 13

sábado, junho 11

Diálogos



- Nunca "Falhaste"?
- A esta distância, não!

segunda-feira, junho 6

Se fosse uma vedeta, Émile Durkheim faria parte da minha Entourage


"É preciso sentir a necessidade da experiência, da observação, ou seja, a necessidade de sair de nós próprios para aceder à escola das coisas, se as queremos conhecer e compreender."

sexta-feira, junho 3

“A relação protensiva entre Fé e Razão na Filosofia Medieval” - António Amaral

«Todo o homem quer entender; não existe ninguém que 
não o queira. Mas nem todos querem crer. Diz-me então 
alguém: “Entenda eu e acreditarei.” Respondo-lhe: “Crê 
e entenderás.” (...) Aquele suposto adversário (...) não 
emite palavras vazias de sentido quando diz: “Entenda eu 
e acreditarei”. (...) De certo modo é verdade o que ele diz. 
Mas também o é quando eu digo, com o profeta: 
“antes crê para entenderes” ».

-AGOSTINHO, Sermo 43.

Texto Completo AQUI

quinta-feira, junho 2

Grande Bosch


No meu julgamento final também quero ser elevado, aos céus, por anjos de negro. Sim, conto ir para o céu, para o paraíso, se isso não acontecer, paciência; sempre me dei bem com advogados, políticos e somalis.


segunda-feira, maio 30

Coimbra, terra das Fronteiras?!


Ontem fui experimentar a minha máquina fotográfica. Convidei o artista plástico António Pedro (www.tope.pt) a ir dar uma volta pela cidade. O resultado foi este gif.
(Caro grafiter até o céu tem fronteiras)